terça-feira, 13 de abril de 2010

Como banqueiros e políticos encobrem a crise

Créditos de: Inacreditável

Uma quadrilha internacional sem raízes...

Embora esteja bem claro que institutos financeiros e governos causaram juntos a Euro-miséria, eles se acobertam mutuamente.

Se quisermos descobrir os verdadeiros culpados pela atual crise do Euro, nós temos que seguir o fio vermelho que foi deixado por ela: governos sem liqüidez acionaram os banqueiros. Estes bancos ajudam países como a Grécia em sua tentativa para conseguir capital no mercado financeiro, possivelmente a juros baixos. Eles aproveitam aqui de lacunas na lei e deixam no escuro certas verdades econômicas sobre os emissores de títulos para investidores.

Para mostrar segurança aos investidores, agências de risco foram contratadas pelos bancos e pagas para abençoar as transações com seu carimbo de boa qualidade. Caso os investidores estivessem sido informados freqüentemente da real situação dos emissores, eles teriam exigido uma taxa de juros bem mais alta. Ao invés disso, eles foram enganados pelos banqueiros, os quais eram obrigados a explicar aos investidores a totalidade dos riscos.

Aqui reside a única crise, o crime verdadeiro, e aqui é onde devemos procurar a culpa pela grande miséria. Aquela desculpa martelada diariamente como um mantra, “culpa disso são os Hedge-Fonds”, é apenas uma manobra evasiva dos próprios culpados. Não foram os Hedge-Fonds que iniciaram a crise.

Os culpados não teriam sido então os sagrados juros bancários? Os ciclos de Kondratieff não dependem de “comportamentos ajuizados”, mas sim da própria essência da expansão de crédito na economia. Nos dias de hoje, esta expansão não é lastreada na força do trabalho, mas sim simplesmente no sistema de remuneração através dos juros. O resultado só pode ser um: escravização pelos juros de toda população mundial, como bem mostra o artigo O governo mundial de facto da atualidade – NR.

De fato, temos é que eles e seus investidores (principalmente os fundos de pensão) são vítimas em dois aspectos simultaneamente: primeiro, eles são vítimas de emissores vigaristas de títulos e segundo, mais além, vítimas de governos que não querem reconhecer suas ações criminosas. Eles, que através de seu consentimento em segredo causaram a crise, querem empurrar a culpa ao último participante do mercado prejudicado por eles: os investidores individuais assim como investidores que se engajaram com seus planos de previdência e economias através de fundos de pensão e investimento e Hedge-Fonds.

Ao invés de assumir a responsabilidade pela sua participação (e pela crise desencadeada por esta conivência), os políticos se enfileiram no coral das sirenes e querem induzir os investidores a um novo naufrágio com suas vozes sedutoras. Eles trocaram sua independência contra as pseudo-verdades da oligarquia dos banqueiros.

A predisposição da Grécia em aceitar as impostas medidas contendedoras de despesas, não termina a crise nem o sofrimento econômico da população grega ou o perigo de uma insolvência. O crime verdadeiro não reside nas apostas em torno da bancarrota grega.

Estes também não são os principais responsáveis pelo encarecimento do crédito do país. Para abaixar as taxas de juros das emissões de títulos, para poupar os verdadeiros acontecimentos econômicos e legitimar sua admissão na União Monetária Européia, os governos gregos já tinham acionado logo de início bancos de investimentos, os quais juntamente com eles manipularam seus balanços.

Aqui reside o crime moral. Ou as agências de risco não reconheceram estas manipulações ou – o que é ainda pior – ignoraram-nas conscientemente. Não se trata aqui de um delito teórico, mas sim de um crime real com vítimas reais. Através dessas ações, foram proporcionados rendimentos aos investidores que seriam compatíveis aos riscos assumidos.

Como nos casos anteriores dos bancos de investimentos Bear Stearns e Lehman Brothers, os investidores iniciaram a fuga após descobrimento da verdadeira situação. Novos investidores exigiram de ora avante um rendimento que fosse adequado ao grau de risco aparente assim como eventualmente camuflado.

Ao invés de aceitar um alto custo de captação de capital para seus mandantes, os banqueiros encenaram agora uma aparente procura elevada à medida que, na ocasião da emissão de novos títulos públicos, estes eram excedidos em muitas vezes. Pelo menos as declarações de banqueiros citadas na imprensa indicam isso, onde bancos privados e seus Fonds pertencem aos maiores subscritos dos recentes títulos gregos.

Simultaneamente, a alta procura por seguros contra calote mostra que os bancos sabiam sobre os riscos envolvidos nesta estratégia, e por isso se seguram contra uma insolvência da Grécia. Quando se tornou público que os participantes do mercado procuravam se segurar contra este risco, os mercados reagiram novamente com ajuste dos juros, o que por sua vez levou os países europeus responsáveis à procura do bode expiatório. Ao invés de agradecer aos emissores pelo descobrimento do crime, os países continuam a ajudar os criminosos.

Enron, Worldcom, Tyco, Wachovia, Washington Mutual, Fannie Mae & Freddie Mac, CDOs, Lehman, Bear Stearns, AIG, GM, Chrysler, bancos de crédito, Califórnia, Grécia – tudo isso não são casos isolados que poderiam ser enquadrados em crises separadas. Os problemas econômicos, que vivenciamos nos últimos três anos, marcam a fase aguda de uma crise persistente, que ainda é diagnosticada de forma equivocada.

Para onde foi o dinheiro? – NR

Bancos e bancos de investimento – que no fundo deveriam atuar como intermediário entre os detentores de capital e os tomadores de crédito – concentraram-se ao invés disso em criar e estimular uma procura artificial por produtos financeiros. Ao invés de utilizar honesto e corretamente as leis vigentes em interesse de seus cidadãos, os governantes e funcionários públicos eram da opinião que podiam interpretar as leis ao seu bel prazer, e com isso encobrir sua própria conivência criminosa. A crise só chegará ao fim quando estiver claro a todos nós o verdadeiro caráter deste crime moral.

Joshua Rosner

Financial Times Deutschland, 11/04/2010.

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