quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Cientistas Loucos Querem Estimular Vulcões Para Bloquear o Sol

Paul Joseph Watson
Prison Planet.com
Quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Tradução: Revelatti

Alarmistas do aquecimento global têm como alvo a própria fonte de toda a vida na Terra, atacando-o como se fosse um inimigo mortal para o ambiente.

Mad Scientists Want To Simulate Volcanoes To Block Sun 280110top

Mesmo quando o próprio fundamento da fraude do aquecimento global desmorona, como resultado de escândalos após escândalos, e a ligação das fabricadas emissões de CO2 e aumento da temperatura é veementemente desmentida, cientistas loucos simpáticos com os aliados da Casa Branca estão propondo estimular os vulcões, a fim de bloquear o sol.

Apesar do fato de que Climategate, Geleiragate e o Amazôniagate, e uma série de outros exemplos 'mamutes', pegando os alarmistas do aquecimento global em flagrante no envolvimento em fraude definitivas para fabricar uma ligação entre as emissões de CO2 e as alterações climáticas têm sido expostos ao longo dos últimos dois meses, geoengenheiros estão ainda insistindo na necessidade de que o próprio homem realize a mudança climática causada pela saturação da atmosfera com partículas sulfúricas, em um esforço para bloquear a fonte de toda a vida na terra - o sol.

"Um projeto de geoengenharia de bloquear o sol através da simulação de erupções vulcânicas seria 100 vezes mais barato do que o corte das emissões de gases com efeito de estufa, disseram os cientistas sobre as alterações climáticas", informa o Telegraph.

"Os cientistas ambientais, David Keith, da Universidade de Calgary, no Canadá, Edward Parson, da Universidade de Michigan e Morgan Granger da Carnegie Mellon University, estavam escrevendo um editorial na revista" Nature ".

"Eles pediram para que os governos estabelecerem um multimilionário fundo de libras para a investigação sobre os vulcões simulados e outras técnicas de gestão da radiação solar para proteger a Terra contra os raios solares."

Não, este não é um script de V ou de algum filme de invasão alienígena tacky B - estimados cientistas estão realmente propondo tratar o sol - sem o qual toda a vida na terra pereceria - como um inimigo mortal para o ambiente.

Sem nenhuma justificativa, e com pouca consideração pelas consequências para a saúde, esses malucos realmente querem criar vulcões artificiais em uma tentativa de produzir o escurecimento global.

Sem dúvida, os seguintes benefícios que são associados com a exposição ao enxofre será apreciado como um bônus adicional pelo mesmo tipo de pessoas que defendem medidas genocidas de redução da população.

- Efeitos neurológicos e alterações comportamentais
- Perturbação da circulação do sangue
- Danos Mentais
- Efeitos sobre os olhos e visão
- Falha reprodutiva
- Danos ao sistema imunológico
- Estômago e desordem gastrointestinal
- Danos a funções hepáticas e renais
- Defeitos da audição
- Distúrbio do metabolismo hormonal
- Efeitos dermatológicos
- Sufocação e embolia pulmonar

Como já foi anteriormente referido, um proeminente defensor das propostas de geoengenharia é outra coisa senão a ciência czar da Casa Branca, John P. Holdren, um conselheiro de Obama chave que co-autor de um famoso livro em que ele chamou de " regime planetário" para impor a população medidas draconianas de controle como o aborto forçado, infanticídio e esterilização obrigatória, bem como o envenenamento da água.

Em abril do ano passado, revelou que conversações de alto nível envolvendo Holdren já havia lugar para explorar a possibilidade de "geoengenharia" do ambiente e de "disparar partículas de poluição na atmosfera superiores para refletir os raios do sol".

"Isso tem que ser visto", Holdren foi citado como dizendo, "Nós não temos o luxo de tomar qualquer abordagem de cima da mesa." A AP informou também que Holdren disse que ele tinha levantado o conceito de administração de discussões.

Mas para alguns, simplesmente lançar gigantescos experimentos na atmosfera para bloquear o sol não vai ser suficientemente longe. Um novo livro ferrenhamente defendido por ninguém menos que James Hansen da NASA chama as cidades para serem arrasadas, a civilização industrial sendo destruída com atos de sabotagem e de eco-terrorismo em nome de travar o que os alarmistas inventaram de catástrofe ambiental que ameaçam esta semana.

"A única maneira de evitar o colapso ecológico global e assim, garantir a sobrevivência da humanidade é para livrar o mundo da civilização industrial", escreve o autor Keith Farnish, acrescentando que "as pessoas vão morrer em grandes números quando a civilização entrar em colapso".

Como temos reiterado, atualmente inúmeros escândalos balançaram a criação do aquecimento global corroendo assim a credibilidade ortodoxa que tinha deixado a mudança do clima, mas a menos que nós seguimos por e eliminar os detritos sistematizados que já infestam todos os níveis da nossa sociedade em nome das alterações climáticas, esses malucos sofisticados acabaram conseguindo avançar com a sua loucura.

Isso começa com a rejeição por atacado e descumprimento de qualquer política, regulamentação ou mandato, instituído em nome de parar a fraude de que o aquecimento global é fabricado pelo homem.

Fonte: Prison Planet - Mad Scientists Want To Simulate Volcanoes To Block Sun

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Pronunciamento: Relatório Governo Mundial

Créditos de: Canal TheMorpheusBrasil

Faça pausas se preciso, para ler as notícias que o Alex Jones coloca para RESPALDAR seu pronunciamento, este jornalista analista praticamente TODAS as notícias, relatórios e anúncios que a Elite faz e nos passa um resumo muito rico.

Enquanto milhões e milhões de pessoas e crianças estão morrendo na catástrofe maltusiana (redução populacional emergencial através da fome), comunidades inteiras estão aprisionadas no transe hipnótico da caixa-de-luz-piscante, e no Brasil o poder dessa maldita BOCA DA ELITE é completo, não havendo praticamente NENHUMA notícia de nada, os noticiários são 100% relatórios do andamento da agenda sob a forma de reportagens e notícias.

Eles repassam de uma "célula" para todas as outras o andamento de sua Agenda e de suas Operações Secretas, e também fazem denúncias de fatos que vão contra a agenda deles (por ex., uma "reportagem" que fizeram estes dias relatando que as pessoas estão comprando a "ração humana", um conjunto de nutrientes naturais formidáveis para manter a saúde das pessoas, absolutamente CONTRA o Codex Alimentarius - que já está em vigor modificando o mercado de alimentos).

E eles relatam pelas TVs, a partir das células locais, disfarçados de "reportagens", os acontecimentos que vão contra a Agenda e a Programação deles, para que tudo seja anotado lá no quartel-general, bem como os resultados das suas operações secretas, como o Weather Warfare aqui no Brasil e américa do sul (usando o clima como arma, criando chuvas torrenciais, para causar inundações e principalmente, DESTRUIR A AGRICULTURA - Chemtrails criando uma atmosfera completamente química + HAARP para iniciar as tempestades violentas).

Quando digo "células" consigo expressar exatamente a verdade, pois me refiro às sociedades secretas, cujo funcionamento é EXATAMENTE como ELES PRÓPRIOS explicam sobre as "células terroristas", mas o que o povo escravo não sabe é que estão falando deles próprios!

Bohemian Grove - Maçonaria freemason - Skull & Bones - Clube de Roma - Grupo Bilderberg - Illuminati - Vaticano - Família Real - Rothschilds e Rockefellers, e mais.


Administração Obama envia ordens ao Banco Mundial para manter a situação de pobreza do terceiro mundo

Paul Joseph Watson
Prison Planet.com
Terça-feira, 26 de Janeiro de 2010

Tradução: Revelatti

Obama Administration Orders World Bank To Keep Third World In Poverty 260110top

Sob a justificativa comprovadamente fraudulenta e completamente corrompida do combate ao aquecimento global, a administração de Obama ordenou o Banco Mundial para manter "em desenvolvimento" dos países subdesenvolvidos, bloqueando-os de construção para exploração de carvão, usinas de energia, garantindo que os países mais pobres continuem na pobreza como resultado de demandas de energia não sejam atingidos.

Mesmo em meio a revelações explosivas das Nações Unidas, emissão de relatórios do IPCC sobre as geleiras do Himalaia e da floresta amazônica repleta de dados incorretos, o governo tem "intensificado a pressão sobre o Banco Mundial não para financiar o carvão, usinas de energia nos países em desenvolvimento", relata o Times of India.

A ordem foi feito por Diretor Executivo Americano do Banco Mundial Whitney Debevoise, que representa os Estados Unidos, ao considerar todos os empréstimos, investimentos, estratégias de assistência aos países, os orçamentos, auditorias e planos de negócios das entidades do Grupo Banco Mundial.

Ao evitar as nações pobres de se tornar auto-suficientes, bloqueando-as de produzir sua própria energia, a administração de Obama quer garantir que milhões mais morrerão de fome e falta de acesso a hospitais e tratamentos médicos.

Não só estrangulando o fornecimento de energia aos países mais pobres impedindo-os na distribuição de alimentos adequados e levando mais fome, mas os hospitais e postos de saúde no terceiro mundo são mal capazes de funcionar como um resultado do Banco Mundial e outros organismos mundiais, ordenando-lhes em serem dependentes de fontes de energia renováveis, que são totalmente insuficientes.

Um exemplo apareceu no documentário A Grande Farsa do Aquecimento Global, que destacou como um posto de saúde do Quênia não poderia operar um frigorífico médico, bem como as luzes ao mesmo tempo, porque a facilidade era restrita a apenas dois painéis solares.

"Há alguém interessado em matar o sonho Africano. E o sonho Africano está se desenvolvendo ", disse o escritor e economista James Shikwati. "Eu não vejo como um painel solar vai ajudar uma indústria siderúrgica ... Estamos dizendo para 'Não tocar nos seus recursos. Não toque em seu óleo. Não toque em seu carvão. "Isso é suicídio."

Os rótulos desse programa dão a idéia de restringir as pessoas mais pobres do mundo para fontes alternativas de energia como "o aspecto mais moralmente repugnante da campanha do aquecimento global".

Como já anteriormente foi referido, a implementação de políticas decorrentes do fraudulento medo exagerado e tendenciosos estudos sobre o aquecimento global já estão devastando o terceiro mundo, com uma duplicação dos preços dos alimentos provocando fome em massa e morte.

As pessoas pobres em todo o mundo, "estão sendo mortas em grande número pela fome como resultado das (alterações climáticas) políticas", disse o cético Senhor Monckton no Alex Jones Show no mês passado, devido às grandes áreas de terras agrícolas que estão sendo entregues ao crescimento dos biocombustíveis.

"Veja o Haiti, onde vivem na lama, torta com lama real custa 3 centavos cada.... Que é o que estamos vivendo, ou melhor, eles estão morrendo", disse Monckton, relatando quando ele deu uma palestra sobre este assunto, uma senhora na fila da frente estourou em lágrimas e disse: "Acabei de voltar do Haiti - agora por causa da duplicação dos preços dos alimentos no mundo, eles não podem sequer pagar o preço de uma torta de lama e eles estão morrendo de fome em todo lugar".

Como o relatório do National Geographic confirmou, "Com os preços dos alimentos, os mais pobres do Haiti não podem pagar um prato diário de arroz, e alguns devem tomar medidas desesperadas para encherem a barriga, como "comer barro", em parte como conseqüência da "crescente demanda mundial por biocombustíveis".

Em abril de 2008, o presidente do Banco Mundial Robert Zoellick reconheceu que os biocombustíveis são um "contribuinte significativo" para os preços dos produtos alimentares, o que levou a protestos em países como Haiti, Egito, Filipinas, e até Itália.

"Nós estimamos que uma duplicação dos preços dos alimentos nos últimos três anos poderia empurrar 100 milhões de pessoas em países de baixa renda ainda mais na pobreza", afirmou.

Mesmo se queremos aceitar o fato de que a superpopulação será um problema persistente no terceiro mundo, o próprio meio pelo qual os países mais pobres, naturalmente mais baixa suas taxas de natalidade, sendo permitido o desenvolvimento de sua infra-estrutura, está sendo bloqueado pelas instituições globais em suas embargações políticas destinadas a manter o terceiro mundo na miséria e na pobreza.

Esta vai para o coração do que verdadeiramente representa a agenda por trás do movimento do aquecimento global - uma unidade malthusiana para manter os escravos oprimidos e impedir que as pessoas mais desesperadas do planeta de sairem fora da miséria e do desespero.

Fonte: Infowars - Obama Administration Orders World Bank To Keep Third World In Poverty

Fora com todas as tropas estrangeiras do Haiti

Créditos de: Resistir.info

por Renato Nucci Junior [*]

http://resistir.info/a_central/imagens/haiti_martirena2.jpg

A devastação causada pelo terremoto no Haiti agravou a ocupação militar de seu território por tropas estrangeiras. Às tropas da Minustah, calculadas em 8 mil militares e sob comando brasileiro, se juntam agora cerca de 10 mil soldados norte-americanos, incluindo 2 mil marines. A desculpa dessa grande presença militar é a de ajudar os sobreviventes do terremoto e auxiliar no esforço de reconstrução do país. Em verdade, mais uma vez o sofrimento do povo haitiano é usado para justificar uma nova intervenção estrangeira.

Em uma situação de tanta dor e sofrimento, onde um povo miserável é vítima de uma catástrofe de proporções gigantescas; onde as imagens difundidas pelos grandes meios de comunicação é a de um país acéfalo no qual parece inexistir o aparelho de Estado, o envio de tropas se justificaria plenamente. O aparente caos natural do Haiti só poderia ser contornado pelo uso constante de uma força militar externa capaz de garantir a segurança e a estabilidade política, fatores imprescindíveis para a reconstrução econômica e social do país.

Ao contrário dessa "verdade" martelada diariamente em nossas cabeças, o fato é que a atual situação do Haiti em grande parte se deve às constantes interferências e intromissões de nações poderosas em seus assuntos domésticos. Os Estados Unidos, com os seus marines à frente, ocuparam e governaram o país de 1915 a 1934. De lá saíram quando o controle da alfândega do país permitiu o pagamento das dívidas que este possuía com o City Bank e, de quebra, conseguiram uma mudança constitucional que passou a permitir a venda de terras e plantações a estrangeiros.

A partir da década de 1990, após a derrubada da ditadura sanguinária de Jean Claude Duvalier, o Baby Doc, que recebeu o apoio dos Estados Unidos, o país se transformou em laboratório para intervenções estrangeiras, principalmente as norte-americanas. O objetivo de todas elas é um só: destruir qualquer capacidade dos haitianos em se auto-governarem. Isso significou executar uma clássica intervenção em seus assuntos internos, como foi o caso da destituição do então presidente Jean Bertrand Aristide, em 2004, o que resultou no envio de uma missão de paz da ONU, a Minustah, em nome da estabilização e segurança do país. Do mesmo modo, tratou-se de impedir que o Estado haitiano possa fazer o que todo Estado faz, executando políticas públicas com os fundos disponíveis, sejam eles internos obtidos com o recolhimento de impostos, sejam de doações ou empréstimos internacionais. Desde 2001, por pressão dos Estados Unidos, os fundos de ajuda internacionais são direcionados prioritariamente para as ações de ONGs que passaram a substituir as obrigações do Estado haitiano. O país não conta com forças armadas e as funções policiais são raquíticas.

Aproveitando-se da acefalia política para a qual contribuíram conscientemente, os Estados Unidos despejaram no Haiti o seu arroz, objeto de fartos subsídios, levando a ruína os pequenos agricultores do país. Em 1982, o governo dos Estados Unidos obrigou o Estado haitiano, sob a ditadura de Baby Doc, a eliminar todos os porcos do país, acusando-os de estarem infectados pela febre africana. Toda essa situação tornou a vida no campo insuportável, levando a um grande êxodo rural cujas conseqüências estão no aumento das favelas e da miséria do país observada na década de 1980, principal razão para a rebelião popular que pôs fim, em 1986, ao regime de terror de Baby Doc. Outra situação da qual tiraram proveito, a partir do êxodo rural, foi a implantação ainda nessa década das maquiladoras, principalmente de roupas esportivas (Nike, Adidas, Reebok), que se aproveitam de uma força de trabalho baratíssima e sem direito a organização sindical.

A presença da Minustah, a partir de 2004, acentuou no Haiti a condição de nação sob permanente estado de intervenção externa. Sob comando operacional dos militares brasileiros, a justificativa para uma nova intervenção estrangeira era a de restabelecer a ordem e reconstruir a infra-estrutura do país. Porém, em quase seis anos de ocupação, os níveis de miséria e pobreza não foram revertidos. Nenhuma escola ou hospital foi construído. Os termos da missão de paz da ONU definem que o orçamento da Minustah só pode ser gasto nas operações destinadas a manter a ordem pública e a segurança interna. Em junho de 2009, as mobilizações populares em apoio a um projeto aprovado na Câmara dos Deputados e no Senado que reajustava o salário mínimo de 70 para 200 gourdas (1 dólar equivale a 42 gourdas), foram duramente reprimidas pelas tropas da Minustah.

O PAPEL VERGONHOSO DO BRASIL

Com papel tão limitado, o governo e as tropas brasileiras, além de usarem a missão no Haiti para assegurar uma cadeira permanente no Conselho de Segurança da ONU, também fazem do país, nas palavras de um coronel da Brabatt (Batalhão Brasileiro da Minustah), um laboratório para os militares brasileiros aprenderem a como conter uma possível rebelião nas favelas cariocas. Mas o papel vergonhoso do Brasil não se resume em transformar o Haiti e seu povo em um grande campo de treinamento para oprimir o próprio povo brasileiro. Interesses econômicos de capitalistas tupiniquins estão por trás da presença do Brasil na "missão de paz" da ONU no Haiti. Além da OAS, que ganhou uma licitação de US$ 145 milhões para construir uma rodovia, a Coteminas, maior empresa de cama, mesa e banho do mundo e cujo proprietário é o vice presidente José Alencar, negocia com as autoridades da Minustah a instalação de uma planta no país. Sua produção seria exportada para os Estados Unidos, com quem o Haiti tem um acordo de livre comércio. Uma das vantagens oferecidas pelo Haiti seria o salário dos trabalhadores, pois uma costureira em Porto Príncipe recebe US$ 0,50 por hora, muito abaixo dos US$ 3,27 pagos para a mesma profissional no Brasil. É o melhor dos mundos para qualquer capitalista: a exploração mais desbragada é garantida pela força das armas, tudo em nome da reconstrução do país.

A devastação causada pelo terremoto, ao prostrar ainda mais o povo haitiano, foi a senha para governos imperialistas ampliarem sua presença militar. Os Estados Unidos, além do envio de tropas, militarizaram a costa haitiana, enviando modernos navios de guerra e ocuparam o aeroporto de Porto Príncipe, causando dificuldades para o pouso de aviões com ajuda humanitária. Brasil, França e Estados Unidos, ao invés de matarem a fome dos haitianos e socorrerem os feridos, brigam entre si sobre quem continuará garantindo a ordem pública e a vigilância policial no país. Mas essa presença súbita de tropas norte-americana no Haiti, tendo como justificativa ajudar no esforço de assistência às vítimas do terremoto, também deve ser vista como parte da estratégia dos ianques em ampliar o cerco militar a Cuba e Venezuela. Afinal, o Haiti está no meio do caminho entre dois países que representam um desafio à prepotência e arrogância do imperialismo.

Enquanto isso, o povo haitiano padece nas ruas de Porto Príncipe de fome, de sede e da falta de atendimento médico. Se eles reclamam por não lhes chegar comida, água e remédios, esperando por uma ação decisiva da ONU e das tropas da Minustah, isso se deve à completa desestruturação do Estado haitiano, levada a cabo conscientemente por potências estrangeiras que sempre viram no país um mero joguete dos seus interesses.

Para muitos parecerá um absurdo, mas a solução dos problemas haitianos, mesmo os causados pelo terremoto, só começarão a se resolver quando toda e qualquer tropa estrangeira deixar o país. A solução para os terríveis problemas enfrentados pelo Haiti começa, sim, pelo respeito à sua soberania, o que implica a retirada de toda e qualquer tropa estrangeira presente no país. Óbvio que nesse momento o Haiti necessita de ajuda. Mas esta deve ser na forma de comida, remédio, roupa, assistência médica, cancelamento unilateral de sua dívida externa, assistência técnica para retomar a produção industrial e agrícola, tudo sem qualquer tipo de contrapartida. Mas jamais com o envio de tropas, cujo pretexto em prestar ajuda humanitária, serve para aprofundar a submissão do país.


Janeiro/2010/Campinas


[*] Membro do Comitê Central do PCB.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Documentário: Atirar Num Elefante - O Terrorismo de Israel sobre Gaza

Créditos de: Canal documentarioz


O Terrorismo de Israel sobre Gaza (2009) (Espanha, 2009, 113min) Direção: Alberto Arce e Mohammad Rujailah Os ataques israelenses não poupam ninguém, crianças, mulheres, ambulâncias e tudo o que se mova pode ser alvo da covardia e brutalidade de um dos exércitos mais brutais do mundo. Se para você isso é novidade, não deixe de assistir a esse documentário "Em 18 de janeiro de 2010 aconteceu o primeiro aniversário do fim do bombardeio de Israel sobre Gaza - ataque que durou de 27 de dezembro de 2008 até 18 de janeiro de 2009 e que terminou com a vida de 1.412 palestinos. O documentário "To Shoot An Elephant" (TSAE) narra, do interior da Faixa de Gaza, os acontecimentos durante aqueles dias. Convertido em narração direta e privilegiada dos bombardeios, quer ser ferramenta para fazer frente à mentirosa propaganda israelense e ao silêncio internacional.

Documentário: Um Táxi para as Trevas - A Crueldade Estadunidense Exposta

Créditos de: Canal krishnamurtibrnew

Documentário assustador detalhando as práticas de tortura adotadas oficialmente pelo Governo dos EUA, desrespeitando totalmente a Convenção de Genebra. Depois de 11 de Setembro, a CIA pôs em prática toda a ciência desenvolvida há mais de 50 anos, desde o Projeto Manhattan, que engloba as atividades de interrogatório que foram amplamente usadas na América Latina (ver "Shock Doctrine" e "War on Democracy"). Começa falando do taxista afegão Dilawar, que apesar dos norte-americanos saberem que era inocente, o seviciaram até a morte. Em sua autópsia consta homicídio. Dalawar foi apenas um dentre muitos e muitos humilhados, torturados, abusados sexualmente e assassinados nas prisões militares estadunidenses. Alguns soldados americanos foram julgados e presos, mas não se trata de fatos isolados. Eles estavam seguindo ordens, que trafegam numa hierarquia rígida que chega até o ex-secretário de Defesa Donald Rumsfeld, e também a Dick Cheney e Bush. O objetivo de tudo isso seria a fabricação de confissão, mesmo falsa. Outra das muitas farsas norte-americanas foi a usada por Colin Powell, na ONU, para mostrar que Al Qaeda teria ligações com Sadam Hussein. E o mais curioso foi a credibilidade de tantos países té hoje. Infelizmente o filme não questiona se os ataques do 11 de setembro foram realmente feitos pelo Al-Qaeda, e além disso dá voz a discursos que afirmam isso, sendo que em 2007, já se tinham muitas evidências que fora planejado pela Casa Branca, juntamente com a CIA (ver "Loose Change", entre outros). Talvez o diretor quisesse focar seu filme no tema tortura abrangendo a audiência dos que acreditam na versão oficial de ataque terrorista islâmico.

Documentário: "O Novo Século Americano"

Créditos de: Canal krishnamurtibrnew

Arrepiante, assustador!
Um dos mais completos documentários para se entender as estratégias e políticas dos conservadores americanos em relação ao planeta e suas consequências para a humanidade.
Entenda porque os EUA sempre se meteram em guerras. Veja a forma como eles, através da mídia, conseguiram, por mais de um século, convencer o povo norte-americano a destruir outros países.
Desde as teorias de visão totalitária até os soldados sem o menor senso de humanidade, os "neocons" controlam o planeta usando a nação como bode expiatório, de forma mesquinha, corrupta e covarde.
Esse documentário consegue abranger de forma linear os temas abordados por documentários como "Loose Change", "Why we Fight", "Iraque for Sale" e "Independent Media in Time of War".
É uma grande oportunidade para combater o pensamento estúpido de conservador sul-americano, que promove o ideal de "quintal" para as nações latinas.
Como disse Thierry Meyssan: "Acorde agora, mundo explorado, ou continue dormindo com barbitúricos que ainda compra dele, enquanto ele, o Tio Sam, te rouba e te estupra severamente [...]"


segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Depressão e Alimentação

Créditos de: Saúde Perfeita

Nossa alimentação rotineira afeta o corpo e a mente. Portanto, distúrbios mentais (e do cérebro), como depressão e demência, podem ser causados pela alimentação inadequada, para determinadas pessoas. A pesquisa abaixo [1] comprova isso.

Alimentação ruim pode dobrar risco de depressão
Estudo aponta ação da chamada "junk food" no desenvolvimento do distúrbio
Conclusões são de pesquisa que acompanhou cerca de 3.500 pessoas; atividade inflamatória de alimentos pode explicar os resultados

Um padrão alimentar baseado em carnes processadas, gorduras trans e saturadas, cereais refinados, açúcar e aditivos alimentares (corantes, conservantes, etc) dobra o risco de depressão na meia idade. A afirmação é de um estudo, publicado no "British Journal of Psychiatry", que acompanhou quase 3.500 homens por cinco anos, no Reino Unido.

Pesquisadores do Departamento de Epidemiologia e Saúde Pública do University College, em Londres, e do Instituto Nacional de Saúde e Pesquisa Médica de Montpellier (França) utilizaram a base de dados do estudo de coorte Whitehall 2, que envolve vários países e inclui no total 10.308 pessoas.

Com os dados do estudo de coorte, os pesquisadores puderam controlar uma ampla gama de variáveis, como condições sociodemográficas, hábitos de vida e parâmetros médicos.

O padrão alimentar foi definido em dois grupos: alimentação integral (alto consumo de vegetais, frutas e peixe) e industrializada (alto consumo de doces, frituras, carne processada, gorduras trans e saturadas e cereais refinados). O mais alto grau diz respeito à ingestão dos alimentos de cada grupo seis ou mais vezes por dia; o grau mais baixo significa que os alimentos não são consumidos nunca ou menos de uma vez por mês.

Após cinco anos, os participantes responderam a um questionário padronizado para medir os sintomas da depressão. Os pesquisadores fizeram, então, os ajustes para eliminar fatores como atividade física, doenças crônicas, tabagismo e depressão preexistente. Mesmo excluindo esses potenciais influenciadores, o grupo com o padrão alimentar baseado em alimentos industrializados apresentou o dobro de chances de desenvolver depressão.

"O efeito deletério dos alimentos industrializados na depressão é uma descoberta nova. Precisamos de mais estudos para explicar essa associação, mas a hipótese é que ela se deve ao maior risco de inflamação e doenças do coração, que estão envolvidas na depressão", disse à Folha Tasmine Akbaraly, coordenadora do estudo.

Para Geraldo Possendoro, professor de medicina comportamental da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), estudos mostram que substâncias produzidas por certos alimentos levam à produção de proteínas com ação pró-inflamatória e que, entre essas, muitas são gatilhos da depressão.

"A alta ingestão de produtos industrializados cria uma sinalização inflamatória. As substâncias secretadas pelo intestino comunicam para os sistemas hipotalâmico [relacionado à secreção de neuro-hormônios] e límbico [relacionado às emoções] essa agressão", diz a endocrinologista e nutróloga Vânia Assaly, membro da International Hormone Society.

Akbaraly diz que essas hipóteses precisam ser testadas. "Queremos verificar o quanto uma dieta saudável pode diminuir o risco de depressão. E ainda não temos evidência de que mudar o padrão alimentar pode reverter o distúrbio".

Para Ricardo Moreno, coordenador do programa de transtornos afetivos do Instituto de Psiquiatria da USP, mesmo sendo preciso mais evidências, o estudo traz um importante recado. "Ele mostra como as medidas de bom senso, entre elas um dieta saudável, funcionam de fato como fatores de proteção ao desenvolvimento da depressão", diz.

GORDURA TRANS
Aumenta a produção de substâncias oxidantes pro até 3 horas após a refeição; estas substâncias ativam genes que levam a produções de substâncias pró-inflamatórias, como a IL 6 (interleucina 6). O aumento de IL 6 é observado em quadros depressivos.

CEREAL REFINADO
Cria desequilíbrios na flora intestinal, reduzindo a quantidade de bactérias "boas", que combatem infecções; o aumento das bactérias meléficas sinaliza inflamação, estimulando a produção de substâncias que alteram o equilíbrio hormonal e neurológico.

GORDURA SATURADA
Pode causar obstrução das artérias, reduzindo o fluxo sanguíneo para o cérebro e afetando o seu funcionamento; também ativa a produção de substâncias pró-inflamatórias.

CORANTES, CONSERVANTES, EDULCORANTES
Aumentam a produção de substâncias oxidantes por pelo menos 3 horas após a refeição; o cérebro "entende" essas substâncias como tóxicas e aciona o seu sistema de defesa, aumentando a produção de substâncias relacionadas aos processos inflamatórios.

AÇÚCAR
A oferta, por curto período, de energia em alta concentração causa oscilações bruscas na bioquímica cerebral e no humor; aumenta a produção de substâncias oxidantes por cerca de 2 horas após a refeição.

Referência:
[1] Iara Biderman, Jornal Folha de S. Paulo, Seção Saúde, pg. C9, 22 de janeiro de 2010.

sábado, 23 de janeiro de 2010

Os EUA e a China: Um lado está perdendo, o outro está vencendo

Créditos de: Resistir.info
por James Petras [*]

O capitalismo asiático, nomeadamente a China e a Coreia do Sul, estão competindo com os EUA pelo poder global. O poder global asiático é conduzido pelo crescimento económico dinâmico, ao passo que os EUA prosseguem uma estratégia de construção de império conduzida pelo poder militar

Leitura de um dia do Financial Times

Mesmo uma leitura superficial de um único número do Financial Times (28/Dezembro/2009) ilustra as estratégias divergentes rumo à construção do império. Na primeira página, o artigo principal sobre os EUA é sobre os seus conflitos militares em expansão e a sua 'guerra ao terror', intitulado "Obama pede revisão da lista do terror" ("Obama Demands Review of Terror List"). Em contraste, há duas páginas de artigos sobre a China, os quais descrevem o lançamento pela China do mais rápido serviço de comboio de passageiros de longa distância e a decisão da China de manter a sua divisa ligada ao US dólar como mecanismo para promover o seu robusto sector exportador. Enquanto Obama vira o foco central dos EUA para a quarta frente de batalha (Yemen) na 'guerra ao terror' (após o Iraque, Afeganistão e Paquistão), o Financial Times relata na mesma página que um consórcio sul coreano ganhou um contrato de US$20,4 bilhões de dólares para desenvolver centrais nucleares civis para os Emirados Árabes Unidos, batendo os seus competidores estado-unidenses e europeus.

Na página dois do FT há um artigo mais extenso a acrescentar pormenores sobre o novo sistema ferroviário chinês, destacando a sua superioridade sobre o serviço ferroviário dos EUA. O ultra-moderno comboio chinês transporta passageiros entre as duas maiores cidades, 1.100 quilómetros, em menos de 3 horas, ao passo que o Amtrack 'Express' dos EUA gasta 3 horas e meia para cobrir 300 quilómetros entre Boston e Nova York. Enquanto o sistema ferroviários estado-unidense deteriora-se por falta de investimento e manutenção, a China gastou US$17 bilhões de dólares para construir a sua linha expressa. A China planeia em 2012 construir 18 mil quilómetros de novas vias para o seu sistema ultra-moderno, enquanto os EUA gastarão uma quantia equivalente para financiar a sua 'escalada militar' no Afeganistão e Paquistão, bem como a abertura de uma nova guerra no Yemen.

A China construi um sistema de transporte ligando produtores e mercados de trabalho das províncias interiores aos centros manufactureiros e portos na costa, enquanto na página 4 o Financial Times descreve como os EUA está preso à sua política de confrontar a 'ameaça islâmica' como uma infindável ' guerra ao terror'. As décadas de guerras e ocupações de países muçulmanos desviaram centenas de milhares de milhões de dólares de fundos públicos para uma política militarista sem benefício para os EUA, ao passo que a China moderniza a sua economia civil. Enquanto a Casa Branca e o Congresso subsidiavam e saciavam o estado militarista-colonial de Israel com a sua insignificante base de recursos e de mercado, alienando 1,5 bilhões de muçulmanos, [1] o produto interno bruto (PIB) da China crescia 10 vezes mais ao longo dos últimos 26 anos. [2] Enquanto os EUA concediam mais de US$1,4 trilhões à Wall Street e aos militares, aumentando os défices fiscais e em conta corrente, duplicando o desemprego e perpetuando a recessão, [3] o governo chinês libertava um pacote de estímulo destinado aos seus sectores internos da manufactura e da construção, levando a um crescimento do 8% do PIB, a uma redução significativa do desemprego e à 'reactivação de economias ligadas' na Ásia, América Latina e África. [3]

Enquanto os EUA gastavam tempo, recursos e pessoal em promover 'eleições' para os seus clientes corruptos no Afeganistão e no Iraque, e participar em inúteis mediações entre o seu intransigente parceiro israelense e o seu impotente cliente palestino, o governo sul coreano apoiou um consórcio encabeçado pela Korea Electric Power Corporation na sua proposta vencedora de US$20,4 bilhões no contrato da central nuclear, abrindo o caminho para outros contratos de milhares de milhões de dólares na região. [4]

Enquanto os EUA gastavam mais de US$60 bilhões de dólares em policiamento interno e na multiplicação do número e dimensão das suas agência de 'segurança interna' em busca de potenciais 'terroristas', a China estava a investir US$25 bilhões de dólares para 'cimentar as suas relações no comércio de energia' com a Rússia. [5]

A história contada pelos artigos e títulos do número de apenas um dia do Financial Times reflecte uma realidade mais profunda, uma realidade que ilustra a grande divisão do mundo de hoje. Os países asiáticos, conduzidos pela China, estão a atingir o status de potência mundial com base nos seus maciços investimentos internos e no estrangeiro em manufactura, transporte, tecnologia, mineração e processamento de minérios. Em contraste, os EUA é uma potência mundial em declínio com uma sociedade em deterioração resultante da sua construção imperial baseada no poder militar e da sua economia centrada nas finanças-especulação.

1- Washington busca clientes militares menores na Ásia; ao passo que a China expande o seu comércio e acordos de investimento com grandes parceiros económicos – Rússia, Japão, Coreia do Sul e por aí além.

2- Washington drena a economia interna para financiar guerra além-mar. A China extrai recursos minerais e energéticos para criar o seu mercado interno de empregos na manufactura.

3- Os EUA investem em tecnologia militar para alvejar insurgentes locais em desafio aos seus regimes clientes; a China investe em tecnologia civil para criar exportações competitivas.

4- A China começa a reestrutura a sua economia rumo ao desenvolvimento do interior do país e estabelece maiores gastos sociais para corrigir seus desequilíbrios e desigualdades brutais enquanto os EUA resgatam e reforçam o seu sector financeiro parasita, o qual saqueou as indústrias (despojamento de activos através de fusões e aquisições) e especula em objectivos financeiros sem qualquer impacto sobre o emprego, a produtividade e a competitividade.

5- Os EUA multiplicam guerras e acumulações de tropas no Médio Oriente, Sul da Ásia, Corno da África e Caribe; a China proporciona investimentos e empréstimos de mais de US$25 bilhões para a construção de infraestrutura, extracção de minérios, produção de energia e instalações de montagem na África.

6- A China assina acordos de comércio e investimento de muitos milhares de milhões de dólares com o Irão, Venezuela, Brasil, Argentina, Chile, Peru e Bolívia, assegurando acesso a recursos energéticos, minerais e agrícolas estratégicos; Washington proporciona US$6 bilhões de ajuda militar à Colômbia, assegura sete bases militares do presidente Uribe (para ameaçar a Venezuela), apoia um golpe militar na minúscula Honduras e denuncia o Brasil e a Bolívia por diversificarem os seus laços económicos com o Irão.

7- A China aumenta relações económicas com economias latino-americanas dinâmicas, que incorporam mais de 80% da população do continente; os EUA fazem parceria com o estado fracassado do México, o qual tem o pior desempenho económico do hemisfério e onde poderosos carteis da droga controlam regiões vastas e penetram profundamente o aparelho de estado.

Conclusão

A China não é um país capitalista excepcional. Sob o capitalismo chinês, o trabalho é explorado; as desigualdades de riqueza e de acesso aos serviços são desenfreadas; agricultores camponeses são deslocados por projectos de mega-barragens e companhias chinesas implacavelmente extraem minérios e outros recursos naturais no Terceiro Mundo. Contudo, a China criou milhões de empregos manufactureiros, reduziu a pobreza mais rapidamente e para mais pessoas no mais curto intervalo de tempo da história. Os seus bancos financiam principalmente a produção. A China não bombardeia ou devasta outros países. Em contraste, o capitalismo estado-unidense foi comprometido numa monstruosa máquina militar global que drena a economia interna e reduz o padrão de vida interna a fim de financiar as suas infindáveis guerras no estrangeiro. As finanças, o imobiliário e o capital comercial minam o sector manufactureiro, retirando lucros da especulação e de importações baratas.

A China investe em países ricos em petróleo; os EUA atacam-nos. A China vende pratos e balões para festas de casamentos afegãs; aviões sem piloto dos EUA lançam bombas sobre as celebrações. A China investe em indústrias extractivas, mas, ao contrário dos colonialistas europeus, constrói rodovias, portos, campos de aviação e proporciona crédito fácil. A China não financia nem arma guerras étnicas e 'rebeliões coloridas" como a CIA dos EUA. A China auto-financia o seu próprio crescimento, comércio e sistema de transportes; os EUA afundam sob uma dívida de muitos bilhões de dólares para financiar suas guerras infindáveis, salvar os seus bancos da Wall Street e impulsionar sectores não produtivos enquanto muitos milhões permanecem desempregados.

A China atrai os consumidores do mundo. As guerras globais dos EUA provocam terroristas aqui e lá fora.

A China pode deparar-se com crises e mesmo rebeliões de trabalhadores, mas ela tem os recursos económicos para acomodá-los. Os EUA estão em crise e podem enfrentar rebeliões internas, mas esgotou o seu crédito e as suas fábricas estão todas lá foram e as suas bases e instalações militares além-mar são passivos, não activos. Há cada vez menos fábricas nos EUA para reempregar os seus trabalhadores desesperados. Uma sublevação social poderia ver os trabalhadores americanos a ocuparem as instalações vazias das suas antigas fábricas.

Para tornarmo-nos um 'estado normal' temos de começar tudo outra vez. Fechar todos os bancos de investimento e bases militares no estrangeiro e retornar à América. Temos de começar a longa marcha rumo à reconstrução industrial para atender às nossas necessidades internas, viver dentro do nosso próprio ambiente natural e renunciar à construção do império em favor da construção de uma república socialista democrática.

Quando folhearemos o Financial Times ou outro jornal qualquer e leremos acerca da nossa própria ferrovia de alta velocidade a transportar passageiros americanos de Nova York para Boston em menos de uma hora? Quando será que as nossas próprias fábricas fornecerão material nosso às lojas? Quando construiremos geradores de energia eólicos, solares e baseados no oceano? Quando abandonaremos as nossas bases militares e deixaremos os senhores da guerra, os traficantes de droga e os terroristas do mundo enfrentarem a justiça dos seus próprios povos?

Será que alguma vez leremos acerca disto no Financial Times ?

Na China, tudo começou com uma revolução...
03/Janeiro/2010

1. Financial Times, page 7.
2. FT, page 9.
3. FT, page 12.
4. FT, page 13.
5. FT, page 3.


[*] Co-autor de La Face cachée de la mondialisation : L'Impérialisme au XXIe siècle , autor de Zionism, Militarism and the Decline of US Power e autor da introdução a Revolutionary Social Change in Colombia: The Origin and Direction of the FARC-EP . Email: jpetras@binghamton.edu .

Vídeo: Opinião Pública sobre Bancos

Créditos de: Canal Deusmihifortis

Notícia veiculada dia 18 de janeiro de 2010
Canal Cuatro Notícias : www.cuatro.com/noticias
Jornalista Iñaki Gabilondo noticia sobre pesquisa realizada pela Infop da França sobre a opinião do público sobre os bancos.



A máscara está caindo...

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Vídeo: Naomi Klein dá opinião sobre a situação no Haiti

Créditos de: Canal Deusmihifortis

Naomi Klein no Ethical Culture Society no dia 13 de janeiro de 2010. Ela é autora do livro A Doutirna do Choque.

"Os pecados do Haiti"

Créditos de: Resistir.info
Por Eduardo Galeano (*)

A democracia haitiana nasceu há um instante. No seu breve tempo de vida, esta criatura faminta e doentia não recebeu senão bofetadas. Era uma recém-nascida, nos dias de festa de 1991, quando foi assassinada pela quartelada do general Raoul Cedras. Três anos mais tarde, ressuscitou. Depois de haver posto e retirado tantos ditadores militares, os Estados Unidos retiraram e puseram o presidente Jean-Bertrand Aristide, que havia sido o primeiro governante eleito por voto popular em toda a história do Haiti e que tivera a louca ideia de querer um país menos injusto.

O voto e o veto

Para apagar as pegadas da participação estado-unidense na ditadura sangrenta do general Cedras, os fuzileiros navais levaram 160 mil páginas dos arquivos secretos. Aristide regressou acorrentado. Deram-lhe permissão para recuperar o governo, mas proibiram-lhe o poder. O seu sucessor, René Préval, obteve quase 90 por cento dos votos, mas mais poder do que Préval tem qualquer chefete de quarta categoria do Fundo Monetário ou do Banco Mundial, ainda que o povo haitiano não o tenha eleito nem sequer com um voto.

Mais do que o voto, pode o veto. Veto às reformas: cada vez que Préval, ou algum dos seus ministros, pede créditos internacionais para dar pão aos famintos, letras aos analfabetos ou terra aos camponeses, não recebe resposta, ou respondem ordenando-lhe:
– Recite a lição. E como o governo haitiano não acaba de aprender que é preciso desmantelar os poucos serviços públicos que restam, últimos pobres amparos para um dos povos mais desamparados do mundo, os professores dão o exame por perdido.


O álibi demográfico

Em fins do ano passado, quatro deputados alemães visitaram o Haiti. Mal chegaram, a miséria do povo feriu-lhes os olhos. Então o embaixador da Alemanha explicou-lhe, em Port-au-Prince, qual é o problema:
– Este é um país superpovoado, disse ele. A mulher haitiana sempre quer e o homem haitiano sempre pode.
E riu. Os deputados calaram-se. Nessa noite, um deles, Winfried Wolf, consultou os números. E comprovou que o Haiti é, com El Salvador, o país mais superpovoado das Américas, mas está tão superpovoado quanto a Alemanha: tem quase a mesma quantidade de habitantes por quilômetro quadrado.
Durante os seus dias no Haiti, o deputado Wolf não só foi golpeado pela miséria como também foi deslumbrado pela capacidade de beleza dos pintores populares. E chegou à conclusão de que o Haiti está superpovoado... de artistas.
Na realidade, o álibi demográfico é mais ou menos recente. Até há alguns anos, as potências ocidentais falavam mais claro.

A tradição racista

Os Estados Unidos invadiram o Haiti em 1915 e governaram o país até 1934. Retiraram-se quando conseguiram os seus dois objetivos: cobrar as dívidas do City Bank e abolir o artigo constitucional que proibia vender plantações aos estrangeiros. Então Robert Lansing, secretário de Estado, justificou a longa e feroz ocupação militar explicando que a raça negra é incapaz de governar-se a si própria, que tem "uma tendência inerente à vida selvagem e uma incapacidade física de civilização". Um dos responsáveis da invasão, William Philips, havia incubado tempos antes a ideia sagaz: "Este é um povo inferior, incapaz de conservar a civilização que haviam deixado os franceses".
O Haiti fora a pérola da coroa, a colónia mais rica da França: uma grande plantação de açúcar, com mão-de-obra escrava. No Espírito das Leis, Montesquieu havia explicado sem papas na língua: "O açúcar seria demasiado caro se os escravos não trabalhassem na sua produção. Os referidos escravos são negros desde os pés até à cabeça e têm o nariz tão achatado que é quase impossível deles ter pena. Torna-se impensável que Deus, que é um ser muito sábio, tenha posto uma alma, e sobretudo uma alma boa, num corpo inteiramente negro".
Em contrapartida, Deus havia posto um açoite na mão do capataz. Os escravos não se distinguiam pela sua vontade de trabalhar. Os negros eram escravos por natureza e vagos também por natureza, e a natureza, cúmplice da ordem social, era obra de Deus: o escravo devia servir o amo e o amo devia castigar o escravo, que não mostrava o menor entusiasmo na hora de cumprir com o desígnio divino. Karl von Linneo, contemporâneo de Montesquieu, havia retratado o negro com precisão científica: "Vagabundo, preguiçoso, negligente, indolente e de costumes dissolutos". Mais generosamente, outro contemporâneo, David Hume, havia comprovado que o negro "pode desenvolver certas habilidades humanas, tal como o papagaio que fala algumas palavras".

A humilhação imperdoável

Em 1803 os negros do Haiti deram uma tremenda sova nas tropas de Napoleão Bonaparte e a Europa jamais perdoou esta humilhação infligida à raça branca. O Haiti foi o primeiro país livre das Américas. Os Estados Unidos tinham conquistado antes a sua independência, mas meio milhão de escravos trabalhavam nas plantações de algodão e de tabaco. Jefferson, que era dono de escravos, dizia que todos os homens são iguais, mas também dizia que os negros foram, são e serão inferiores.
A bandeira dos homens livres levantou-se sobre as ruínas. A terra haitiana fora devastada pela monocultura do açúcar e arrasada pelas calamidades da guerra contra a França, e um terço da população havia caído no combate. Então começou o bloqueio. A nação recém nascida foi condenada à solidão. Ninguém comprava do Haiti, ninguém vendia, ninguém reconhecia a nova nação.

O delito da dignidade

Nem sequer Simón Bolívar, que tão valente soube ser, teve a coragem de firmar o reconhecimento diplomático do país negro. Bolívar conseguiu reiniciar a sua luta pela independência americana, quando a Espanha já o havia derrotado, graças ao apoio do Haiti. O governo haitiano havia-lhe entregue sete naves e muitas armas e soldados, com a única condição de que Bolívar libertasse os escravos, uma idéia que não havia ocorrido ao Libertador. Bolívar cumpriu com este compromisso, mas depois da sua vitória, quando já governava a Grande Colômbia, deu as costas ao país que o havia salvo. E quando convocou as nações americanas à reunião do Panamá, não convidou o Haiti mas convidou a Inglaterra.
Os Estados Unidos reconheceram o Haiti apenas sessenta anos depois do fim da guerra de independência, enquanto Etienne Serres, um gênio francês da anatomia, descobria em Paris que os negros são primitivos porque têm pouca distância entre o umbigo e o pênis. A essa altura, o Haiti já estava em mãos de ditaduras militares carniceiras, que destinavam os famélicos recursos do país ao pagamento da dívida francesa. A Europa havia imposto ao Haiti a obrigação de pagar à França uma indemnização gigantesca, a modo de perda por haver cometido o delito da dignidade.
A história do assédio contra o Haiti, que nos nossos dias tem dimensões de tragédia, é também uma história do racismo na civilização ocidental.

* Eduardo Galeano é escritor uruguaio, autor do livro "As veias abertas da América Latina".

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Hugo Chávez acusa os EUA de usar Arma de Terremotos no Haiti

Créditos de: FimdosTempos.net

O anti-governo americano da Venezuela, em sua paranóia habitual contra o império dos EUA, diz que o terremoto no Haiti é “claramente o resultado de um teste da Marinha dos EUA” e sublinha que “um terremoto experimental dos EUA devastou o país do Caribe “.

Em um comunicado à imprensa emitido na cadena estatal de televisión Vive, o executivo que dirige a Hugo Chávez repetiu um “relatório preparado pela Frota do Norte russa, indicando que o terremoto no Haiti foi o resultado evidente de um teste U. S. Navy ( marinha dos Eua) através de uma de suas armas de terremotos “.
A Frota do Norte, o texto continua, “tem acompanhado os movimentos e atividades navais dos EUA no Caribe desde 2008, quando os norte-americanos anunciaram a intenção de restabelecer a IV Frota se desfez em 1950, à qual a Rússia respondeu em um ano depois outra liderada pelo cruzador nuclear Pedro, o Grande, a começar seus primeiros exercícios nesta região desde o fim da Guerra Fria. ”
Este relatório do caso também compara o teste da Marinha Americana de duas destas armas de terremotos na semana passada, quando o teste no Pacífico causou um terremoto de magnitude 6,5 na cidade de Eureka, Califórnia, sem vítimas, com a sua prova no Caribe, que causou a morte de pelo menos 140 mil inocentes.
Como indicado pelo texto acima russo, “é mais do que provável” que Washington “teve pleno conhecimento dos danos catastróficos que este teste poderia potencialmente causar um terremoto no Haiti e tinha colocado o seu comandante do Comando Sul, o general PK Keen, na ilha para supervisionar os esforços de ajuda, se necessário. “

Com que objetivo Washington faria esses testes ? Então, como Moscou e Caracas “, no resultado final dos testes destas armas são os Estados Unidos o plano de destruição do Irã através de uma série de tremores de terra destinada a derrubar o atual regime islâmico”.

Finalmente, o governo Chávez, denuncia que “o Departamento de Estado, a USAID e o Comando Sul dos EUA na invasão humanitária começaram a enviar pelo menos 10.000 soldados e empreiteiros para controlar, em vez de a ONU, o território do Haiti, na sequência do devastador terremoto experimental.”



terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Dispositivos móveis irão escanear seu corpo nú nas ruas!

Créditos de: Blog A Nova Ordem Mundial

Scanners corporais estão sendo preparados para se tornarem móveis e escanear você na rua, em jogos de futebol e qualquer outro evento onde massas de pessoas estão reunidas, de acordo com um documento vazado escrito pelas autoridades holandesas.

A tirania que está agora sendo implementada em aeroportos sempre foi destinada a ser posta em prática nas ruas, como detectores de metais móveis já em ação vários centros de transportes no Reino Unido, sob o pretexto de impedir os crimes com o uso de facas.

Agora, a polícia holandesa anunciou que está desenvolvendo um scanner móvel que vai "ver através da roupa das pessoas e procurar por armas ocultas".

De acordo com um documento confidencial, "O scanner pode ser primeiramente utilizado como uma alternativa para revistas corporais aleatórias nas áreas de alto risco. O detector móvel permitirá as buscas a serem realizadas mais rapidamente e só seria usado em pessoas com suspeita de transportar armas escondidas", relata o site holandês News.nl.

O dispositivo também seria utilizado a partir de uma distância sobre grupos de pessoas "e fazer varreduras em massa no público em eventos como partidas de futebol."
"O maior desafio é torná-lo portáteis e garantir a realização de uma varredura em segundo", afirmou Giampiero Gerini, professor da Universidade de Eindhoven, segundo o jornal holandês.

O objetivo é desenvolver e implantar o equipamento em um prazo de três anos. Com a polícia nas principais cidades americanas e britânicas já realizando buscas aleatórias em pessoas inocentes sob as leis contra o terrorismo rotineiramente abusadas, scanners móveis serão provavelmente adicionados ao seu arsenal, especialmente se as pessoas forem condicionadas a aceitarem a sua utilização como rotina nos aeroportos.

Três anos atrás, documentos vazados do Ministério do Interior revelou que as autoridades do Reino Unido estariam trabalhando em propostas para embutir câmeras de CCTV com raio-x em postes que iriam escanear as pessoas que passassem e "despi-los"de forma a localizar "suspeitos de terrorismo".

"A questão é quando isso é uma adição útil para a segurança e quando é que se torna excessivamente intrusivo e preocupante para o público", Disse o professor Paul Wilkinson, um especialista em terrorismo.

Uma vez que tudo o que vemos que está sendo instalado nos aeroportos está agora a ser introduzido gradualmente nas ruas, quanto tempo teremos antes que dispositivos de leitura da mente façam a varredura de indivíduos para a psicologia comportamental, o que está sendo discutido para uso em aeroportos, sejam instalados em cada canto das principais ruas?

As tecnologias sendo agora preparadas não apenas para os aeroportos, mas para nossa vida cotidiana, são muito mais assustadoras e avançadas tecnologicamente do que qualquer coisa que George Orwell escreveu em seu livro "1984". A menos que nos levantemos em uníssono e digamos basta, o nosso mundo se tornará um prisão high-tech caracterizada por um sistema de castas de escravos e controladores.

Vídeo: Nosso Mundo em Decadência...

Créditos de: Canal krishnamurtibrnew

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Documentário: HAARP - 'Teoria da Conspiração', com Jesse Ventura

Créditos de: Canal fimdostemposnet

É um projeto de pesquisa de comunicações ou uma arma apocalíptica que pode mudar o clima, tirar satélites de órbita - e acionar o controle da mente de todo o mundo? Jesse Ventura e sua equipe , partem para uma região remota do Alasca para enfrentar a instalação militar chamada HAARP.







A militarização da ajuda de emergência ao Haiti: Trata-se de uma operação humanitária ou de uma invasão?

Créditos de: Resistir.info

por Michel Chossudovsky

O Haiti tem uma história prolongada de intervenção militar e ocupação pelos EUA que remonta ao princípio do século XX. O intervencionismo estado-unidense contribuiu para a destruição da economia nacional do Haiti e para o empobrecimento da sua população.

O terremoto devastador é apresentado à opinião pública mundial como a causa única da situação do país.

Um país que foi destruído, cuja infraestrutura foi demolida. O seu povo precipitado na pobreza abissal e no desespero.

Na história do Haiti, o seu passado colonial foi apagado.

Os militares estado-unidenses vieram em resgate de um país empobrecido. Qual é o seu mandato?

Trata-se de uma operação humanitária ou de uma invasão?

Os principais atores da "operação humanitária" da América são o Departamento da Defesa, o Departamento de Estado e a U.S. Agency for International Development (USAID). (Ver USAID Speeches: On-The-Record Briefing on the Situation in Haiti, 01/13/10 ). À USAID também foi confiada a canalização de ajuda alimentar ao Haiti, a qual é distribuída pelo Programa Alimentar Mundial. (Ver USAID Press Release: USAID to Provide Emergency Food Aid for Haiti Earthquake Victims, January 13, 2010 )

Contudo, a componente militar da missão dos EUA tende a ensombrar as funções civis de salvar uma população desesperada e empobrecida. A operação humanitária total não está sendo conduzida por agências governamentais civis tais como a FEMA ou o USAID, mas sim pelo Pentágono.

O papel dominante na tomada de decisões foi confiado ao US Southern Command (SOUTHCOM).

Está contemplada uma maciça instalação de pessoal e material militar. O presidente da Joint Chiefs of Staff, almirante Mike Mullen, confirmou que os EUA estarão enviando nove a dez mil de soldados ao Haiti, incluindo 2000 marines. (American Forces Press Service, January 14, 2010)

O porta-aviões USS Carl Vinson e os seus navios complementares de apoio já chegaram a Port au Prince. (15/Janeiro/2010). Os 2000 membros da Unidade Anfíbia da Marinha bem como soldados da 82ª Divisão Aerotransportada do Exército dos EUA "são treinados numa ampla variedade de missões incluindo segurança e controle de tumultos além de tarefas humanitárias".

Em contraste com as equipes de resgate e ajuda despachadas por várias organizações civis, o mandato humanitário dos militares dos EUA não está claramente definido.

"Os marines são definitivamente guerreiros em primeiro lugar e isso é o que o mundo sabe do marines, ... [mas] somos igualmente compassivos quando precisamos ser e este é um papel que gostaríamos de mostrar – o do guerreiro compassivo, estendendo a mão com ajuda àqueles que dela precisam. Estamos muito estimulados quanto a isto". (Marines' Spokesman, Marines Embark on Haiti Response Mission , Army Forces Press Services, January 14, 2010)

Enquanto os presidente Obama e Préval falavam ao telefone, não havia discussões entre os dois governos respeitantes à entrada e instalação de tropas dos EUA em solo haitiano. A decisão foi tomada e imposta unilateralmente por Washington. A falta total de funcionamento do governo no Haiti foi utilizada para legitimar, com bases humanitárias, o envio de uma poderosa força militar, a qual de fato usurpou várias funções governamentais.

TABELA 1

Ativos militares dos EUA a serem enviados ao Haiti (de acordo com anúncios oficiais)


USS Normandy.
USS Carl Vinson.










O navio de assalto anfíbio USS Bataan (LHD 5) e os navios anfíbios dock landing USS Fort McHenry (LSD 43) e USS Carter Hall (LSD 50).

Uma Unidade Anfíbia dos Marines com 2000 membros da 22ª Unidade Expedicionária da Marinha e soldados da 82ª divisão aerotransportada do exército . Novecentos soldados estão destinados a chegar ao Haiti em 15 de Janeiro.

O porta-aviões USS Carl Vison e os navios complementares de apoio (chegados a Port au Prince em 15/Janeiro/2010): USS Carl Vinson CVN 70

O navio hospital USNS Comfort

Várias embarcações e helicópteros da Guarda Costeira dos EUA.

Os três navios anfíbios unir-se-ão ao porta-aviões USS Carl Vinson, ao cruzador com mísseis guiados USS Normandy e à fragata com mísseis guiados USS Underwood .


Papel preponderante do US Southern Command

O US Southern Command (SOUTHCOM) com sede em Miami é a "agência principal" no Haiti. O seu mandato como comando militar regional é executar a guerra moderna. A sua missão declarada na América Latina e no Caribe é "conduzir operações militares e promover cooperação de segurança para alcançar objetivos estratégicos dos EUA". ( Our Mission - U.S. Southern Command (USSOUTHCOM ) Os oficiais no comando são treinados para superintender operações no teatro, policiamento militar bem como "contra-insurgência" na América Latina e no Caribe, incluindo o recente estabelecimento de novas bases militares estado-unidenses na Colômbia, na proximidade da fronteira venezuelana.

O general Douglas Fraser, comandante do U.S. Southern Command definiu a operação de emergência no Haiti como uma operação de Comando, Controle e Comunicações (C3). O US Southern Command deve supervisionar uma instalação maciça de material militar, incluindo vários navios de guerra, um porta-aviões, divisões de combater aero-transportado, etc.

"Assim, estamos concentrados em ganhar comando e controle e comunicações ali de modo a que possamos realmente obter um melhor entendimento do que está a acontecer. O MINUSTAH [United Nations Stabilization Mission in Haiti], com a sua sede parcialmente em colapso, perdeu um bocado da sua comunicação e assim procuramos fortalecer aquela comunicação, também.

Estamos enviando equipes de avaliação em conjunto com a USAID, apoiando os seus esforços, bem como cedendo alguns de nós para apoiar os seus esforços.

Estamos movimentando vários navios que tínhamos na região – são navios pequenos, lanchas da Guarda Costeira, destróiers – naquela direção, para proporcionar o que for preciso de assistência imediata no solo.

Também temos um porta-aviões da U.S. Navy, o USS Carls Vinson , a movimentar-se naquela direção. Ele estava no mar ao largo de Norfolk e vai gastar um par de dias para chegar ali. Precisamos também reabastecê-lo e dar-lhe as provisões que precisa para apoiar o esforço no Haiti. E estamos à procura de agências internacionais para descobrir como apoiar os seus esforços bem como os nossos esforços.

Também estamos à espera de um grande navio anfíbio com uma Unidade Expedicionária Marine nele embarcada que num par de dias chegará após o USS Vinson.

E isso dá-nos um leque mais vasto de capacidade para movimentar abastecimentos e também para aumentar a capacidade para ajudar a apoiar o esforço.

O ponto principal é que não temos uma avaliação clara neste momento da situação no terreno, o que é preciso em Port-au-Prince, quão generalizada é a situação.

Finalmente, temos também uma equipe que se dirige para o aeroporto. No meu entendimento, porque o meu vice-comandante por acaso estava no Haiti quando surgiu esta situação, numa visita programada anteriormente. Ele tem permanecido no aeroporto. E afirma que a pista está funcional mas a torre não tem capacidade comunicações. O terminal de passageiros tem danos estruturais, não sabemos em que grau.

Assim, temos um grupo para verificar se podemos ganhar e assegurar o aeroporto e operar a partir dele, porque este é um daqueles locais que pensamos ter um papel no esforço imediato de uma ajuda internacional.

E então efetuamos todas as outras avaliações que considerarmos apropriadas neste esforço.

Também estamos a coordenar no terreno com a MINUSTAH, com pessoas que estão ali. O comandante do MINUSTAH aconteceu estar em Miami quando esta situação acontecer, de modo que agora ele está a viajar de volta e deveria chegar a Port-au-Prince a qualquer momento. Isso nos ajudará a coordenar nossos esforços porque, mais uma vez, as Nações Unidas sofreram uma perda significativa com o colapso – pelo menos o colapso parcial da sua sede.

De modo que estes são os esforços iniciais que temos em andamento. E quando obtivermos avaliações que vem a seguir, então ajustaremos como necessário.

O secretário da Defesa, o presidente, determinaram que isto é um esforços significativo e estamos reunindo todos os recursos dentro do Departamento da Defesa para apoiar este esforço" ( Defense.gov News Transcript: DOD News Briefing with Gen. Fraser from the Pentagon , January 13, 2010)

Um relatório da Heritage Foundation resume a essência da missão da América no Haiti: "O terremoto tem tanto implicações humanitárias como de segurança nacional para os EUA [exigindo] uma resposta rápida que seja não só forte como decisiva, mobilizando capacidades militares, governamentais e civis dos EUA tanto para resgate e ajuda a curto prazo como para uma recuperação e programa de reforma a longo prazo no Haiti". (James M. Roberts and Ray Walser, American Leadership Necessary to Assist Haiti After Devastating Earthquake , Heritage Foundation, January 14, 2010).

No princípio, a missão militar estará envolvida em primeiros socorros e emergências.

A US Air Force tomou funções de controle de tráfego aéreo bem como a administração do aeroporto de Port au Prince. Por outras palavras, os militares estado-unidenses regulam o fluxo de ajuda de emergência e abastecimentos que estão sendo trazidos para o país em aviões civis. A US Air Force não está trabalhando sob as instruções dos responsáveis de aeroporto haitiano. Estes responsáveis foram deslocados. O aeroporto é dirigido pelos militares dos EUA (Entrevista com o embaixador haitiano nos EUA, R. Joseph, PBS News, January 15, 2010)

O navio hospital de 1000 camas da US Navy, o USNS Comfort, o qual inclui mais de 1000 médicos e pessoal de apoio, foi enviado ao Haiti sob a jurisdição do Southern Command. (Ver Navy hospital ship with 1,000 beds readies for Haiti quake relief , Digital Journal, January 14, 2010).

No momento do terremoto havia cerca 7100 militares e mais de 2000 polícias, nomeadamente uma força estrangeira de mais de 9000. Em contraste, o pessoal civil do MINUSTAH é de menos de 500. MINUSTAH Facts and Figures - United Nations Stabilization Mission in Haiti

TABELA 2
United Nations Stabilization Mission in Haiti (MINUSTAH)


Força atual (30 Novembro 2009)

9,065 total de pessoal uniformizado

7,031 soldados
2,034 polícias
488 pessoal civil internacional
1,212 civis locais
214 Voluntários das Nações Unidas

MINUSTAH Facts and Figures - United Nations Stabilization Mission in Haiti

Estimativa das forças combinadas SOUTHCOM e MINUSTAH; 19.095*

* Excluindo compromissos da França (não confirmados) e do Canadá (confirmados 800 soldados), os EUA, França e Canadá foram "parceiros" no golpe de Estado de 29 de Fevereiro de 2004.

O contingente de forças estado-unidenses sob o SOUTHCOM juntamente com aquelas do MINUSTAH eleva a presença militar estrangeira no Haiti para cerca de 20 mil homens num país de 9 milhões de pessoas. Em comparação com o Afeganistão, antes da escalada militar de Obama, as forças conjuntas dos EUA e da OTAN eram da ordem de 70 mil para uma população de 28 milhões. Por outras palavras, numa base per capita haverá mais tropas no Haiti do que no Afeganistão.

Intervenções militares recentes dos EUA no Haiti

Houve várias intervenções militares patrocinadas pelos EUA na história recente. Em 1994, a seguir a três anos de domínio militar, uma força de 20 mil tropas de ocupação e de "manutenção da paz" foi enviada ao Haiti. A intervenção militar estado-unidense de 1994 "não se destinava a restaurar a democracia". Muito pelo contrário: foi executada para impedir uma insurreição militar contra a Junta militar e as suas coortes neoliberais". (Michel Chossudovsky, The Destabilization of Haiti, Global Research, February 29, 2004 )

As tropas dos EUA e dos seus aliados permaneceram no país até 1999. As forças armadas haitianas foram desmanteladas e o Departamento de Estado dos EUA contratou uma companhia de mercenários, a DynCorp, para proporcionar "conselho técnico" na reestruturação da Polícia Nacional do Haiti. (Ibid).

O golpe de Estado de Fevereiro de 2004

Nos meses que antecederam o golpe de Estado de 2004, forças especiais dos EUA e da CIA estiveram a treinar esquadrões da morte compostos pelos antigos tonton macoute da era Duvalier. O exército paramilitar rebelde cruzou a fronteira da República Dominicana no princípio de Fevereiro de 2004. "Era uma unidade paramilitar bem armada, treinada e equipada integrada pelos antigos membros de Le Front pour l'avancement et le progrès d'Haiti (FRAPH), os esquadrões da morte "à paisana", envolvidos em matanças em massa de civis e assassínios políticos durante o golpe militar de 1991 patrocinado pela CIA, o qual levou ao derrube do governo democraticamente eleito do presidente Jean Bertrand Aristide". (ver Michel Chossudovsky, The Destabilization of Haiti: Global Research. February 29, 2004 )
Foram enviadas tropas estrangeiras para o Haiti. O MINUSTAH foi estabelecido na véspera do golpe de Estado de Fevereiro de 2004 patrocinado pela CIA e do sequestro e deportação do presidente democraticamente eleito Jean Bertrand Aristide. O golpe foi instigado pelos EUA com o apoio da França e do Canadá.

As unidades FRAPH a seguir integraram a força policial do país, a qual estava sob a supervisão do MINUSTAH. Na desordem política e social desencadeada pelo terremoto, a antiga milícia armada e os Ton Ton macoute estarão desempenhando um novo papel

Agenda oculta

A missão não mencionada do US Southern Command (USSOUTHCOM) com sede em Miami e das instalações militares dos EUA através da América Latina é assegurar a manutenção de regimes nacionais subservientes, nomeadamente governos títeres dos EUA, comprometido com o Consenso de Washington e com a agenda política neoliberal. Enquanto o pessoal militar dos EUA será a princípio ativamente envolvido em ações de emergência e amenização do desastre, esta renovada presença militar dos EUA no Haiti será utilizada para estabelecer uma cabeça de ponte no país bem como prosseguir os objectivos estratégicos e geopolíticos da América na bacia do Caribe, os quais são em grande medida dirigidos contra Cuba e a Venezuela.

O objetivo não é atuar para a reabilitação do governo nacional, a presidência, o parlamento, os quais foram dizimados pelo terremoto. Desde a queda da ditadura Duvalier, a concepção da América tem sido desmantelar gradualmente o Estado haitiano, restaurar padrões coloniais e obstruir o funcionamento de um governo democrático. No contexto atual, o objetivo é não só abolir o governo como também relançar o mandato da United Nations Stabilization Mission in Haiti (MINUSTAH), cuja sede foi destruída.

"O papel de relevo no esforço de ajuda e administração da crise caiu rapidamente nos Estados Unidos, por falta – a curto prazo, pelo menos – de qualquer outra entidade capaz". ( US Takes Charge in Haiti _ With Troops, Rescue Aid - NYTimes.com, January 14, 2009 )

Antes do terremoto havia, segundo fontes militares dos EUA, uns 60 militares estado-unidenses no Haiti. De um dia para o outro, ocorreu uma escalada militar absoluta: 10 mil tropas, fuzileiros navais, forças especiais, operativos de inteligência, etc, sem mencionar forças mercenárias privada sob contrato do Pentágono.

Com toda a probabilidade a operação humanitária será utilizada como pretexto e justificação para estabelecer uma presença militar dos EUA no Haiti mais permanente.

Estamos tratando de uma implantação maciça, de uma "escalada" de pessoal militar designado para ajuda de emergência.

A primeira missão do SOUTHCOM será ganhar o controle do que resta da infraestrutura de comunicações, transportes e energia do país. O aeroporto já está sob controle de fato dos EUA. Com toda a probabilidade, as atividades do MINUSTAH que desde o princípio em 2004 serviram aos interesses da política externa dos EUA, serão coordenadas com aquelas do SOUTHCOM, nomeadamente a missão da ONU será colocada sob o controle de fato dos militares estado-unidenses.

A militarização das organizações de ajuda da sociedade civil

Os militares dos EUA no Haiti procuram supervisionar as atividades de organizações humanitárias aprovadas. Isto também tem em vista controlar as atividades humanitárias da Venezuela e de Cuba:

"O governo do presidente René Préval está fraco e agora literalmente em pandemônio. Cuba e Venezuela, já tentando minimizar a influência dos EUA na região, provavelmente aproveitarão esta oportunidade para elevar a sua visibilidade e influência..." (James M. Roberts and Ray Walser, American Leadership Necessary to Assist Haiti After Devastating Earthquake , Heritage Foundation, January 14, 2010).

Nos EUA, a militarização das operações de ajuda de emergência foi estabelecida durante a crise do Katrina, quando os militares foram chamados a desempenhar um papel de proa.

O modelo de intervenção de emergência do SOUTHCOM segue o padrão do NORTHCOM, ao qual foi concedido um mandato como "a agência principal" nos procedimentos de emergência internos dos EUA. Durante o Furacão Rita em 2005, foram estabelecidas as bases para a "militarização da ajuda de emergência" com um papel de liderança para os militares dos EUA. Quanto a isto, Bush aludiu ao papel central dos militares em ajudas de emergência: "Haveria um desastre natural – de uma certa dimensão – que permitisse ao Departamento da Defesa tornar-se a agência principal de coordenação e liderança no esforço de resposta? Isto vai ser uma consideração muito importante para o Congresso meditar". (Statement of President Bush at a press conference, Bush Urges Shift in Relief Responsibilities - washingtonpost.com, September 26, 2005 ).

"A resposta ao desastre nacional não está sendo coordenada pelo governo civil do Texas, mas de uma localização remota e de acordo com critérios militares. A sede do US Northern Command controlará diretamente o movimento de pessoal e material militar no Golfo do México. Tal como no caso do Katrina, isto suprimirá as ações de entidades civis. Mas neste caso, toda a operação está sob a jurisdição do militares ao invés de estar sob a da FEMA". (Michel Chossudovsky, US Northern Command and Hurricane Rita , Global Research, September 24, 2005)

Observações conclusivas

A entrada de dezenas de milhares de tropas estado-unidenses fortemente armadas, complementadas por atividades da milícia local, poderia potencialmente precipitar o país no caos social.

Vinte mil tropas estrangeiras sob o comando do SOUTHCOM e do MINUSTAH estarão presentes no país.

O povo haitiano apresentou um alto grau de solidariedade, resiliência e compromisso social.

Ajudaram-se uns aos outros e atuaram com consciência: sob condições muito difíceis, equipes de resgate formadas por cidadãos constituíram-se espontaneamente.

A militarização de operações de ajuda romperá as capacidades organizacionais dos haitianos para reconstruir e restabelecer as instituições de governo civil que foram destruídas. Ela também comprometerá os esforços das equipes médicas internacionais e de organizações civis de ajuda.

É absolutamente essencial que o povo haitiano se oponha firmemente à presença de tropas estrangeiras, particularmente em operações de segurança pública.

É essencial que os americanos oponham-se firmemente à decisão da administração Obama de enviar tropas de combate para o Haiti.

Não pode haver qualquer reconstrução ou desenvolvimento reais sob a ocupação militar estrangeira.

15/Janeiro/2010

"O Haiti é um laboratório para os militares brasileiros"

Créditos de: Resistir.info

por Otávio Calegari Jorge [*]


http://resistir.info/a_central/imagens/brazil_crimes_against_haiti_by_latuff2_70pc.jpg

Cartoon de Latuff. A noite de ontem foi a coisa mais extraordinária de minha vida. Deitado do lado de fora da casa onde estamos hospedados, ao som das cantorias religiosas que tomaram lugar nas ruas ao redor e banhado por um estrelado e maravilhoso céu caribenho, imagens iam e vinham. No entanto, não escrevo este pequeno texto para alimentar a avidez sádica de um mundo já farto de imagens de sofrimento.

O que presenciamos ontem no Haiti foi muito mais do que um forte terremoto. Foi a destruição do centro de um país sempre renegado pelo mundo. Foi o resultado de intervenções, massacres e ocupações que sempre tentaram calar a primeira república negra do mundo. Os haitianos pagam diariamente por esta ousadia.

O que o Brasil e a ONU fizeram em seis anos de ocupação no Haiti? As casas feitas de areia, a falta de hospitais, a falta de escolas, o lixo. Alguns desses problemas foram resolvidos com a presença de milhares de militares de todo mundo?

LABORATÓRIO CONTRA REBELIÕES NAS FAVELAS

A ONU gasta 500 milhões de dólares por ano para fazer do Haiti um teste de guerra. Ontem pela manhã estivemos no BRABATT, o principal Batalhão Brasileiro da Minustah (United Nations Stabilization Mission in Haiti). Quando questionado sobre o interesse militar brasileiro na ocupação haitiana, o coronel Bernardes não titubeou: o Haiti, sem dúvida, serve de laboratório (exatamente, laboratório) para os militares brasileiros conterem as rebeliões nas favelas cariocas. Infelizmente isto é o melhor que podemos fazer a este país.

Hoje, dia 13 de janeiro, o povo haitiano está se perguntando mais do que nunca: onde está a Minustah quando precisamos dela?

Posso responder a esta pergunta: a Minustah está removendo os escombros dos hotéis de luxo onde se hospedavam ricos hóspedes estrangeiros.

Longe de mim ser contra qualquer medida nesse sentido, mesmo porque, por sermos estrangeiros e brancos, também poderíamos necessitar de qualquer apoio que pudesse vir da Minustah.

A realidade, no entanto, já nos mostra o desfecho dessa tragédia – o povo haitiano será o último a ser atendido, e se possível. O que vimos pela cidade hoje e o que ouvimos dos haitianos é: estamos abandonados.

A polícia haitiana, frágil e pequena, já está cumprindo muito bem seu papel – resguardar supermercados destruídos de uma população pobre e faminta. Como de praxe, colocando a propriedade na frente da humanidade.

Me incomoda a ânsia por tragédias da mídia brasileira e internacional. Acho louvável a postura de nossa fotógrafa de não sair às ruas de Porto Príncipe para fotografar coisas destruídas e pessoas mortas. Acredito que nenhum de nós gostaria de compartilhar, um pouco que seja, o que passamos ontem.

Infelizmente precisamos de mais uma calamidade para notarmos a existência do Haiti. Para nós, que estamos aqui, a ligação com esse povo e esse país será agora ainda mais difícil de ser quebrada.

Espero que todos os que estão acompanhando o desenrolar desta tragédia também se atentem, antes tarde do que nunca, para este pequeno povo nesta pequena metade de ilha que deu a luz a uma criatividade, uma vontade de viver e uma luta tão invejáveis.

13/Janeiro/2010

[*] Investigador da Universidade de Campinas em missão no Haiti.